quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Crônica de um desencontro latente

Lehgau-Z Qarvalho


E eram só impossibilidades. E eram apenas desencontros. E nascido haviam para nunca se encontrarem. A rosa dos ventos era prova cabal. Um mundo de um tamanho descomunal. E nem o tempo fora companheiro. E nem os dias foram dias inteiros. Mas a vida agiu. O mar levitou. As ondas trouxeram e levaram e trouxeram e levaram. E alguns ciclos se fecharam. E outros explodiram. E o que não era para ser, foi. E eles se encontraram. Malditamente se encontraram. Utopicamente se encontraram. Estranhamente se encontraram. E àquela altura dos fatos, a vida já era peça pregada, para ambos. E restava-lhes apenas os desencontros. E restava-lhes apenas as impossibilidades. E precisavam de uma outra vida, mas não dispunham. E precisavam um do outro, mas não sabiam. E se amaram. E mesmo assim se amaram. Mas nunca se viram. Nem nunca se tocaram. E os dias se passaram. E as noites se seguiram. E no peito a dor levaram, para o resto de seus dias. Para as suas poucas vidas; suas parcas alegrias.

6 comentários:

Linda Simone disse...

Lindo "desencontro latente" (amei a expressão!). Não vou nem falar da qualidade poético-literária do texto (fala por si: belíssimo!), mas da carga emocional contida e emanada. Não me foi possível ler sem arrepiar-me (e não é mera força de expressão), sentir uma aceleração repentina das funções vitais e perceber o nó entalado em minha garganta. Preciso dizer... fui às lágrimas...

BRAVO!

sara lee disse...

man, e eu que nem imaginava em ti um desses romênticos das distâncias líquidas hehehehehe
vamos começando bem, hein?

Ana Lucia disse...

Dolorosamente belo. Dói bem fundo.

Valentina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Valentina disse...

AiAi.......................



***suspiro***

Reimer disse...

Muito bom! Amor líquido. Ótimo começo.
GRande abraço, Reimer